quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

CEOs das empresas do IMPACTO 10X10X10 de #ElesPorElas revelam dados de gênero em relatório lançado durante o Fórum Econômico Mundial

CEOs das empresas do IMPACTO 10X10X10 de #ElesPorElas revelam dados de gênero em relatório lançado durante o Fórum Econômico Mundial/
Alguns dos Campeões do Impacto 10x10x10 com a Embaixadora da Boa Vontade da ONU Mulheres, Emma Wason, e a Diretora Executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka
Foto: ONU Mulheres/Celeste Sloman

Davos, 22 de janeiro de 2016—Dez das maiores empresas do mundo divulgaram informações de diversidade de gênero em suas equipes de trabalho, incluindo dados sobre cargos de liderança e participação de mulheres em seus Conselhos, em relatório inédito sobre paridade de gênero da campanha #ElesPorElas da ONU Mulheres. O anúncio ocorreu no Fórum Econômico Mundial em Davos, onde os chefes das empresas se reuniram ao lado da Sub-Secretária Geral da ONU e Diretora Executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo Ngcuka, e da Embaixadora da Boa Vontade da ONU Mulheres, Emma Watson.
Como parte da campanha #ElesPorElas, a ONU Mulheres lançou, há um ano em Davos, uma iniciativa chamada IMPACTO 10x10x10, com o objetivo de engajar 10 importantes tomadores de decisão dos setores governamental, corporativo e acadêmico para impulsionar uma transformação para a igualdade de gênero.
Desde que se inscreveram, os Campeões do Impacto 10x10x10 do setor corporativo fizeram da igualdade de gênero uma prioridade institucional. Um ano mais tarde, a transparência dos dados apresentados por esses Campeões em Davos ajudará empresas a medirem seus compromissos e inspirará outros empregadores a fazerem o mesmo.
Os dados do relatório mostram que uma grande lacuna permanece entre a representação das mulheres na força de trabalho em geral, bem como em posições de liderança. Embora a representação geral das mulheres seja de uma média de 39,7% entre as 10 empresas, a proporção de cargos de liderança ocupados por mulheres variou de 11% a 33%. Enquanto este grupo supera médias globais, a ONU Mulheres estabeleceu a paridade como meta para essas empresas. Portanto, os compromissos individuais de cada uma das empresas contemplarão uma variedade de caminhos para alcançar essa meta.
Reconhecendo a importância do tema e a necessidade de progresso, os Campeões do IMPACTO 10x10x10 adquiriram uma posição corajosa em matéria de transparência. Eles se comprometeram a compartilhar periodicamente e publicamente os dados de representação de gênero em suas empresas.
“Saúdo a coragem deste grupo em revelar o status de igualdade de suas empresas e sua evidente dedicação para realizar uma mudança radical. Eles mostram detalhadamente o que já conhecemos como norma global — mulheres são cronicamente sub-representadas em empregos formais, especialmente em cargos de liderança. Com base em suas experiências, podemos identificar e encontrar soluções para transformar setores e, eventualmente, alcançar um mundo igualitário. Essas empresas estão moldando a realidade da liderança corporativa”, disse a Diretora Executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo Ngcuka.
As 10 empresas que fazem parte desse grupo são: Accorhotels, Barclays, Koç Dadas, McKinsey & Company, PricewaterhouseCoopers, Schneider Electric, Tupperware Brands, Twitter, Unilever e Vodafone.
A ONU tem feito desse tipo de parceria uma estratégia fundamental para alcançar a Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável, que prioriza a igualdade de gênero tanto como um objetivo independente quanto como parte integrante de outros objetivos. A transparência exibida neste relatório é, portanto, crucial para medir os progressos conquistados.
Outras conclusões do relatório incluem:
• 40% dos membros do Conselho da Tupperware e 61% de seus novos contratados são mulheres, tornando-a a empresa do grupo mais próxima de paridade nessas categorias.
• A Accorhotels e a Tupperware Brands alcançaram paridade em seus Conselhos (entre 40-60%).
• Em todas as empresas, as mulheres representam 39,9% das novas contratações. Quatro empresas conseguiram estabelecer uma paridade em suas novas contratações: Barclays, PwC, T
Os Campeões do setor corporativo do IMPACTO 10x10x10 estão relatando representação de gênero nas seguintes categorias:
1. Números gerais da empresa
2. Cargos de liderança
3. Conselho
4. Novas contratações
Para maiores informações sobre o IMPACTO 10x10x10, acesse:
http://www.onumulheres.org.br/wp-content/uploads/2015/03/ElesPorElas_visao_geral.pdf
O Relatório sobre Paridade Corporativa, do Impacto10x10x10 da #ElesPorElas HeForShe, está disponível em inglês em:
http://www.heforshe.org/~/media/heforshe/files/davos/heforshe_impact10x10x10_parityreport2016_embargo.pdf
Para assinar o compromisso #ElesPorElas HeforShe, acesse: www.heforshe.org

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

ONU lança painel de alto nível sobre empoderamento das mulheres

Secretário-geral afirmou que especialistas vão destacar as interações entre crescimento econômico e gêneros; meta é mobilizar vontade política e liderança para implementar Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
ONU lança painel de alto nível sobre empoderamento das mulheres/
Em Davos, Ban Ki-moon (à dir.) anuncia a criação do primeiro painel de alto nível da ONU sobre Empoderamento Econômico das Mulheres. Foto: ONU/ Rick Bajornas.

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York
A ONU anunciou a criação de um painel de alto nível sobre o Empoderamento Econômico das Mulheres num evento durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, que participou da reunião esta quinta-feira, disse que “os especialistas vão destacar as interações entre o crescimento econômico e gênero para mobilizar vontade e liderança política para implementar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS.”

Agenda 2030 - Segundo Ban, o grupo vai trabalhar para diminuir as lacunas econômicas entre homens e mulheres que persistem no mundo. O painel fará recomendações para a implementação da Agenda 2030 no sentido de melhorar os resultados econômicos para mulheres e também para promover liderança em um crescimento ambiental sustentável e inclusivo.
Ban disse que os especialistas vão fazer recomendações para governos, setor privado e para o sistema da ONU e parceiros sobre as ações que devem ser adotadas para alcançar os ODS. O chefe da ONU declarou que “o empoderamento das mulheres é um imperativo global”.
Barreiras - Ele afirmou que apesar dos progressos conquistados até agora para promover a igualdade de gêneros, há ainda uma necessidade urgente de lidar com barreiras estruturais ao empoderamento das mulheres.
Pesquisas mostram que as mulheres investem suas rendas na família e na comunidade em que vivem, incluindo nas áreas de educação e saúde. As mulheres continuam ganhando menos do que os homens, têm menos bens e realizam os trabalhos e as atividades mais vulneráveis e mal pagos.
A primeira reunião do painel de alto nível vai acontecer em março de 2016 durante a 60ª Sessão sobre o Estatuto da Mulher, na sede da ONU em Nova York. Os especialistas vão entregar o primeiro relatório com suas recomendações em setembro.

Lançamento de cartilha sobre a disputa internacional de menores brasileiros tem a participação da SPM

Lançamento de cartilha sobre a disputa internacional de menores brasileiros tem a participação da SPM

A secretária de Enfrentamento à Violência da Secretaria de Políticas para as Mulheres do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, Aparecida Gonçalves, participou, na  terça-feira (19/01), do lançamento da cartilha sobre a “Disputa de guarda e subtração internacional de menores brasileiros”, no Ministério das Relações Exteriores, em Brasília.
Aparecida Gonçalves destacou as ações que a Secretaria de Política para as Mulheres desenvolve no apoio às mulheres que disputam a guarda de seus filhos no exterior. “A SPM orienta as mulheres quanto ao acesso a Justiça e faz parte da rede de apoio à mulher com diversos países. Entre eles, Estados Unidos, Itália, Espanha e França”, esclareceu. Também participaram da entrevista para a apresentação da cartilha o Embaixador Carlos Alberto Simas Magalhães, a ministra Luiza Lopes da Silva e o representante da Secretaria de Direitos Humanos, George Lima.
Elaborada pelo Itamaraty , a cartilha é um instrumento importante que tem o objetivo de embasar uma campanha de esclarecimento, no Brasil e no exterior, sobre a problemática da disputa da guarda de menores brasileiros residentes fora do país e filhos de casais binacionais. O documento contém orientações aos pais e mães brasileiras, sobre legislação e práticas adotadas nos países onde residem.
Comunicação Social

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

SPM participa de oficina sobre saúde das mulheres com HIV/Aids

Abertura da Oficina sobre Saúde Integral das Mulheres Vivendo com HIV/Aids. Foto: Divulgação SPM
A secretária de Articulação Institucional e Ações Temáticas da Secretaria de Políticas para as Mulheres do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, Rosali Scalabrin, participou da abertura da Oficina sobre Saúde Integral das Mulheres Vivendo com HIV/Aids, nesta terça-feira (19/01), em Brasília. 
A oficina é realizada em parceria com o Ministério da Saúde com o  objetivo de buscar  estratégias para qualificar a atenção para saúde das mulheres vivendo com HIV/Aids.  
Rosali Scalabrin destacou a importância dessa parceria  e da articulação com lideranças sociais do país que atuam na área ou  que vivenciam a realidade, o que resulta no fortalecimento da participação social  e da necessidade de  avançar na implementação da saúde integral das mulheres vivendo com HIV/Aids.
Participam da oficina que acontece até nesta quarta-feira (20/01) vários segmentos da sociedade civil que definirão  os próximos passos para garantir avanços à saúde integral das mulheres vivendo com HIV/Aids. 

Comunicação SocialSecretaria de Políticas para as Mulheres – SPM

Fórum Internacional AWID recebe, até 8/2, inscrições gratuitas de ativistas do Brasil

Encontro tem como tema central: “Futuros feministas: Construindo poder coletivo em prol dos direitos e da justiça”. São aguardadas 2.000 participantes oriundas e oriundos de uma ampla diversidade de movimentos: direitos das mulheres e movimentos feministas, movimentos pela paz, justiça econômica, direitos ambientais e direitos humanos, entre outros
Visite aqui o site do Fórum Internacional AWID
Encontro internacional acontecerá, em maio, na Bahia



Está aberta a seleção para isenção da taxa de inscrição no Fórum Internacional AWID. A organização possibilitará a inscrição gratuita de 200 brasileiras e brasileiros ativistas, movimentos e organizações do Brasil no evento que ocorrerá entre 5 a 8 de maio de 2016, em Sauípe. O prazo de envio é até o dia 8 de fevereiro.
O Fórum Internacional AWID faz parte de um processo político para romper com as opressões e promover visões compartilhadas para um mundo mais justo. Para colaborar com a organização do encontro, estão estruturados os seguintes núcleos: Fórum Feminismos Negros, Núcleo do Ativismo Feminista Jovem, Núcleo de Proteção Integral para Mulheres Defensoras e Intercâmbio Feminista via Internet.
O Fórum tem como objetivo celebrar as conquistas dos últimos 20 anos alcançadas por diversos movimentos sociais e analisar criticamente os aprendizados que possam ser levados adiante, avaliar a realidade atual para identificar as oportunidades e ameaças no que tange à promoção dos direitos das mulheres e de outros grupos oprimidos, buscar estratégias para fortalecer a solidariedade e o poder coletivo entre os diversos movimentos, além de inspirar, energizar e renovar a força e o propósito de empoderamento das mulheres.
São aguardadas 2.000 participantes oriundas e oriundos de uma ampla diversidade de movimentos e setores para construir estratégias coletivamente em prol de futuros feministas: movimentos pelos direitos das mulheres e movimentos feministas (inclusive dando atenção especial a ativistas brasileiras e brasileiros pelos direitos das mulheres) a movimentos pela paz, justiça econômica, direitos ambientais e direitos humanos, entre outros.
Comunidades tradicionalmente sub-representadas ou marginalizadas terão uma forte presença no Fórum, tais como: ativistas feministas jovens; mulheres negras e afrodescendentes; mulheres indígenas; trabalhadoras do sexo; mulheres com deficiência; ativistas trans e ativistas migrantes.

Consultas Nacionais das Mulheres com Deficiência, das Ciganas e das Indígenas serão em março

      
Brasília, 19 de janeiro - A Secretaria de Políticas para as Mulheres do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos realiza, nos dias 1º, 2 e 3 de março de 2016, em Brasília, as Consultas Nacionais das Mulheres com Deficiência, das Ciganas e das Indígenas. Os debates integram as etapas preparatórias para a 4ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres (4ªCNPM). O objetivo principal é assegurar a participação de segmentos específicos e de povos e comunidades tradicionais de todo o país, em especial das regiões mais isoladas, na etapa nacional da 4ª CNPM. 
De acordo com a coordenadora-executiva da 4ª CNPM, Rosali Scalabrin, as consultas são fundamentais para efetivar a participação de grupos que tradicionalmente encontram maior dificuldade de acesso e expressão nos processos convencionais de participação social. “A diversidade das mulheres brasileiras precisa estar representada na 4ª Conferência Nacional de Políticas para Mulheres, o que significa garantir visibilidade e voz à pluralidade de segmentos, grupos e etnias de mulheres brasileiras”, afirmou. 
A coordenadora de Diversidade da SPM, Janaína Oliveira, explicou que as consultas serão realizadas em parceria com outros órgãos do governo federal, relacionadas aos três segmentos. “Isso permitirá discutir as especificidades destes segmentos em relação aos eixos temáticos da 4ª CNPM, garantindo visibilidade às questões das mulheres indígenas, ciganas e com deficiência, além de definir delegadas natas, representantes com direito a voz e voto, para a etapa nacional”, explicou. No total, serão escolhidas sete delegadas de cada segmento para participar da etapa nacional. 
4ª CNPM - Durante o ano de 2015, milhares de mulheres mobilizadas em mais de 2.200 municípios em todos os Estados e no Distrito Federal estiveram envolvidas nas etapas preparatórias para a 4ª CNPM. Também foram realizadas outras consultas nacionais, dezenas de conferências livres e uma plenária governamental. 
As participantes são delegadas, com direito a voz e voto, convidadas e observadoras de diferentes segmentos, como das mulheres negras, indígenas, lésbicas, quilombolas, urbanas, do campo, das águas e das florestas, mulheres com deficiência, entre outros. 
O tema da 4ª edição da Conferência é “Mais direitos, participação e poder para as mulheres”. Para orientar as discussões das políticas públicas, foram estabelecidos quatro eixos temáticos: “Contribuição dos conselhos dos direitos da mulher e dos movimentos feministas e de mulheres para a efetivação da igualdade de direitos e oportunidades”; “Estruturas institucionais e políticas públicas desenvolvidas para as mulheres no âmbito municipal, estadual e federal: avanços e desafios”; “Sistema político com participação das mulheres e igualdade”; e “Sistema Nacional de Políticas para as Mulheres”. 
ServiçoConsultas Nacionais das Mulheres com Deficiência, das Ciganas e das IndígenasData: 1º, 2 e 3 de março de 2016Horário da abertura: 16hLocal: A definir.
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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Empoderadas e a Batalha pelo Discurso da Mulher Negra

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As lutas - muitas vezes invisíveis - das mulheres negras é o tema do programa Empoderadas. Foto: divulgação.

De tempos em tempos, uma palavra pouco usada, mas de forte significado, adentra no vocabulário coletivo e passa a ser citada cotidianamente. Tal qual uma roupa que se veste muitas vezes, ela acaba se esgarçando, cabendo a tudo e, por consequência, perdendo parte de seus sentidos. É o caso de palavras como “sensacionalismo”, tão usada na crítica ao mau jornalismo que acabou por significar tudo e nada, ou “neurótico”, espalhada na popularização da psicanálise e meio que banalizando um conceito importante. Palavras, como sabem há muito os linguistas, são as pontes que nos conectam e têm o árduo desafio de traduzir em parcos caracteres como vemos ou como sentimos o mundo.

Talvez uma palavra muito repetida no ano de 2015 – quando a pauta constante sobre a mulher ajudou a tirar um véu de invisibilidade sobre comportamentos sexistas, tidos como naturais – tenha sido “empoderamento”. Ou seja, falou-se muito sobre como tomar o poder, como desnudar posicionamentos machistas, como achar brechas para tomar as rédeas da fala e da fabulação de sentidos sobre as mulheres. É neste contexto que surge um programa chamado Empoderadas, uma websérie independente que visa reapropriar-se da força desta palavra por meio de histórias. Ou seja, o programa não simplesmente reivindica a palavra empoderamento, mas demonstra-a a partir das vidas de mulheres que se empoderaram diante das adversidades.
Obviamente, não são quaisquer histórias, mas sim narrativas de um grupo específico, o de mulheres negras, cujas batalhas por vezes se escondem na trama velada das diferenças. Ser exceção e contabilizar o pertencimento a tantas minorias – ser mulher, ser negra, ser pobre, ser gay, ser trans, ser política, ser sambista, ser bonita, ser feia, ser magra, ser gorda – é ser convocada para lutar diariamente uma guerra invisível, que é a busca pelo direito do discurso, por significar a si mesma e ao seu grupo.

Neste sentido, os programetes de Empoderadas(que duram cada um cerca de seis minutos) concretizam de fato a ideia de empoderamento. Em outras palavras, concedem a essas mulheres ouvidas muito mais que representatividade – ou seja, o direito de terem visibilidade, mas estarem “domesticadas” na fala dos outros (veja aqui análise sobre os enquadramentos no programaEsquenta) – e sim a chance de falarem-se, traduzirem-se, exporem os meandros e as armas empregadas na peleja para qual foram alistadas sem pedir. Para tal objetivo, a estética do programa foca quase exclusivamente no rosto das entrevistadas, como se convidasse o espectador a confrontá-las, a não desviar a face daquilo que elas dizem.

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É este, de fato, o conteúdo de todas as histórias aqui contadas. Dediane Souza expõe a batalha de ser uma “mulher binária”, uma mulher com pinto, cujos espaços de existência costumam ser o da desconfiança e do desrespeito. As empresárias da marca Xongani empoderaram-se por meio de acessórios para mulheres negras, e revelam o racismo institucional que insurge quando uma negra busca linhas de investimento para o próprio negócio. A dançarina Ana Koteban empodera-se ao reivindicar o direito do corpo da negra dançar sem estar associado à sensualidade. A atriz Thais Dias reclama pelo direito de controlar o discurso sobre a mulher negra em um palco, ao invés de aparecer varrendo chão, tal como se preenchesse uma cota de representatividade de sua raça. A sambista Leci Brandão pleiteia o respeito e a escuta no Congresso ao se tornar a segunda deputada negra em São Paulo ao longo de um século.

“É o Carnaval, mas a gente tá indo para uma guerra”, avisa a percussionista Beth Beli. “Meu objetivo é seduzir o racista e assim mudar a maneira de nos enxergar”, conta Alexandra Loras, consulesa da França no Brasil. Ambas as falas não deixam de ser inspiradas em analogias da vida que todas as mulheres contam ali. Que este programa se consolide nas brechas – na “porta dos fundos” da internet, parafraseando o famoso grupo de comédia – e não nas chamadas grandes mídias não deixa um sintoma de que há muita estrada a ser percorrida em busca do definitivo empoderamento das mulheres.

Por Maura Martins Do A Escotilha
http://www.geledes.org.br