segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Aprovadas na CCJ novas circunstâncias para agravar pena do crime de feminicídio

O tempo da pena de prisão aplicável ao feminicídio poderá ser aumentado se o crime for praticado em descumprimento de medida protetiva de urgência prevista na Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006). O agravamento está previsto em projeto de lei da Câmara (PLC 8/2016), aprovado nesta quarta-feira (29) pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). A proposição segue para análise do Plenário.
 
O aumento de pena em um terço ou metade poderá ocorrer ainda quando o delito for praticado contra pessoa portadora de doenças degenerativas que acarretem condição limitante ou de vulnerabilidade física ou mental. O crime receberá igual tratamento se também for cometido na presença física ou virtual de descendente ou de ascendente da vítima.
– É uma importante proposição que deve ser aprovada com a maior brevidade possível – afirmou o relator, senador Eduardo Lopes (PRB-RJ).
Diante dos protestos de senadores como Lindbergh Farias (PT-RJ), contrário ao agravamento de penas, a senadora Simone Tebet (PMDB-MS) esclareceu que a proposta não as aumenta, apenas atualiza as situações agravantes que já estão previstas na lei. A pena já é aumentada, por exemplo, se a morte for cometida na frente de um filho da vítima. O texto inclui o agravante caso a morte seja executada diante de uma câmera e divulgada pela internet. Assim como já é mais grave matar uma mulher deficiente, torna-se mais grave cometer o crime contra alguém com mobilidade reduzida por ser portadora de doença incapacitante, explicou a senadora.
– O projeto não aumenta penas, só as estende em casos já previstos, atualizando o Código Penal para situações mais modernas, seja na parte de informática, da internet, seja nas novas doenças – explicou Simone.
A senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) também comemorou a aprovação justo em um momento no qual há pessoas questionando a tipificação do crime de feminicídio na legislação brasileira, por considerá-la desnecessária.
Crime hediondo
A pena de reclusão para o feminicídio pode variar de 12 a 30 anos, sem considerar condições agravantes. O feminicídio entrou para o Código Penal como uma qualificadora do crime de homicídio, no rol dos crimes hediondos. Isso ocorreu a partir da Lei 13.104/2015, derivada de projeto da Comissão Mista da Violência contra a Mulher.
De modo específico, a recente lei considera feminicídio o crime praticado contra a mulher por razões relacionadas à condição de sexo feminino: quando envolver violência doméstica e familiar ou menosprezo e discriminação contra a condição de mulher. A norma foi uma resposta ao clamor por punição mais rigorosa para a mais extrema e ainda comum forma de violência contra as mulheres.
Atualmente, no caso de feminicídio, já existe agravante se o crime for cometido contra vítima menor de 14 anos, maior de 60 anos ou com deficiência. A pena também é agravada quando o crime ocorrer durante a fase de gestação ou nos três meses posteriores ao parto; e na presença de descendente ou de ascendente da vítima.
Medidas protetivas
As medidas protetivas, cujo descumprimento poderá provocar o aumento de pena previsto no projeto, são determinadas pela Justiça para garantir a segurança das mulheres vítimas de violência doméstica.
Desde a denúncia do crime, os juízes podem determinar, em relação aos agressores, a suspensão da posse ou restrição do porte de armas, e o afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida. Além disso, podem proibir que o agressor se aproxime da vítima ou tenha contato com ela ou familiares, por qualquer meio de comunicação.
Situações de maior reprovabilidade
Em seu parecer, Lopes observou que as novas hipóteses para aumento de pena nos casos de feminicídio complementam o regramento já existente, agregando outras situações de maior reprovabilidade, que devem ser punidas, portanto, com maior rigor.
“De acordo com o Instituto Avante Brasil, uma mulher morre a cada hora no Brasil. Quase metade desses homicídios são dolosos e praticados em situação de violência doméstica ou familiar, por meio do uso de armas de fogo. As estatísticas apontam ainda que 34% dos óbitos são causados por instrumentos perfuro-cortantes (facas, por exemplo) e 7% por asfixia decorrente de estrangulamento, representando os meios mais comuns nesse tipo ocorrência”, comentou ainda o relator.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Pesquisa preliminar aponta que 54,6% dos brasileiros de 16 a 25 anos têm HPV

Estudo é composto por 5.812 mulheres e 1.774 homens. Foram incluídos dados de 119 UBS e um Centro de Testagem e Aconselhamento das 26 capitais e do DF. Salvador aparece como cidade com maior índice: 71,9%.
Vacina de HPV está disponível na rede pública de saúde (Foto: Ascom Sespa)
Vacina de HPV está disponível na rede pública de saúde (Foto: Ascom Sespa)
Dados preliminares de um estudo divulgado nesta segunda-feira (27) pelo Ministério da Saúde apontam uma prevalência de 54,6% de casos de HPV entre a população brasileira de 16 a 25 anos, sendo que 38,4% são de tipos de alto risco para o desenvolvimento de câncer.
A infecção por HPV (papilomavírus humano) é associada a vários tipos de câncer, principalmente ao de colo de útero, mas também de pênis, de vulva, de canal anal e de orofaringe, e é de tratamento complicado.
As relações sexuais são a principal forma de transmissão do vírus, mas ele também pode ser disseminado pelo sangue, por roupas ou objetos contaminados (como toalhas, roupas íntimas ou sabonetes), pelo beijo e durante o parto.
A doença causa feridas principalmente na região genital, mas também em outras partes do corpo, como pernas e braços. O maior perigo está nas verrugas que aparecem internamente, perto do útero, que não são visíveis e, sem tratamento, podem levar ao câncer.
Em junho deste ano, o governo federal anunciou a ampliação do público-alvo para a vacinação contra a doença: meninos de 11 a 15 anos agora podem receber uma dose.
Estudo
A amostra do estudo é composta por 5.812 mulheres e 1.774 homens com 16 a 25 anos, sendo a média de idade de 20,6 anos. O grupo foi entrevistado e fez exames. Foram incluídos dados de 119 Unidades Básicas de Saúde (UBS) e um Centro de Testagem e Aconselhamento das 26 capitais e do Distrito Federal.
O ministério contou com o apoio do Hospital Moinhos do Vento, em Porto Alegre, para planejar a pesquisa.
Por enquanto, os resultados são preliminares e produzidos por meio de estimativa. O resultado laboratorial foi dado para 35,2% das amostras para o HPV – de onde se extraiu a informação de que 54,6% dos participantes têm a doença. Como alguns municípios ainda não encerraram as coletas, essa porcentagem pode mudar até o fim do estudo. O relatório deve ser totalmente encerrado e divulgado em março de 2018.
“Todo mundo passou pela coleta, mas uma parte ainda não foi analisada. Esse dado pode ter uma pequena variação não maior que 2 pontos percentuais, é isso que a gente estima. De qualquer maneira, é um número muito alto, mesmo se for de 54% para 52%”, disse a coordenadora do estudo, a médica Eliana Wendland.
 
Como foi feito
Os pesquisadores coletaram amostras genitais e orais para determinar a prevalência do HPV, objetivo principal do estudo. Também foram analisadas variáveis sociodemográficas, consumo de drogas lícitas e ilícitas, comportamento sexual e saúde reprodutiva e infecções sexualmente transmissíveis, como HIV e sífilis, por meio das entrevistas.
“Fizeram teste rápido de HIV e sífilis, isso foi feito no mesmo momento da entrevista nas unidades de saúde”, explicou Wendland. O estudo apontou que 16,1% da população avaliada já tinha alguma DST (Doença Sexualmente Transmissível) prévia ou apresentou resultado positivo para HIV e sífilis.
Estavam namorando 41,9% e 33,1% eram casados no momento da coleta. Eram solteiros 24,2% e apenas 0,7% eram divorciados. Em média, os participantes fizeram sexo pela primeira vez aos 15,3 anos – mulheres aos 15,4 anos e homens aos 15 anos.
Metade dos indivíduos (51,5%) disse usar camisinha na rotina sexual. Apenas 41,1% usou na última vez que fez sexo. O comportamento sexual de risco foi observado em 83,4% dos entrevistados.
A pesquisa é uma parceria com várias instituições: Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Universidade de São Paulo, Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, sigla em inglês), Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, secretarias municipais de saúde de todas as capitais do Brasil e Unidades Básicas de Saúde. Mais de 250 profissionais de saúde colaboraram.
Carolina Dantas

REMUT participa de reunião com Vice- Governadora Nazaré Araújo e a Secretária de Estado Concita Maia

 



Na quarta feira dia 22, aconteceu um encontro entre a vice governadora Nazaré Araújo, a Secretária de Estado de Política Pública para Mulheres Concita Maia, a vereadora Janaina, Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher Rosa Neri, Diretora do Hospital Sansão Gomes Anísia Aragão e as lideres da Rede de Mulheres Tarauacaense REMUT, Socorro Neri e Toinha Rodrigues.

 Onde foi cobrado ativação da rede de atendimento a mulher, o funcionamento do conselho e sua importância. Assim, temos hoje grupo de mulheres organizadas, corajosas e dispostas a enfrentar os preconceitos e deboches que comumente estão presentes nas rodas de bate-papo de pessoas que não se dão conta do quanto é importante para a sociedade que a violência doméstica seja banida de vez.

O poder público, assim como toda a sociedade, precisa apoiar sempre o Conselho Municipal da Mulher e mais que isso, se conscientizar de que esse é um trabalho árduo e tem sido desempenhado em benefício de muitas mulheres que se encontram desprotegidas, humilhadas e sem saber que rumo dar à própria vida.

A família é a base da sociedade e isso não é novidade, mas essa base necessita ser solidificada no amor e respeito mútuo, para tanto os pais precisam conviver em paz e dar bons exemplos aos seus filhos. O respeito pela dignidade do (a) outro (a) se aprende primeiro em casa! As conselheiras da mulher têm lutado de todas as formas para modificar a mentalidade das pessoas, especialmente dos homens para que estes vejam as mulheres com mais respeito e que não façam da força bruta uma arma covarde para resolução de problemas. 

São inúmeras denúncias de violência recebidas diariamente pelo Conselho, e assim são feitas visitas nos domicílios para conciliação, são mobilizados os instrumentos judiciais quando necessário, são feitas palestras de conscientização e divulgação da Lei Maria da Penha nas escolas e em órgãos públicos, são realizadas visitas à Cadeia Pública para se verificar as condições em que se encontram as presas, observando-se com maior atenção os casos das que estão grávidas ou em fase de aleitamento materno, realizam-se constantes reuniões com os representantes do poder público em todas as instâncias para se criar mecanismos e políticas de respeito à mulher.

A Vereadora Janaina Furtado, voltou a levantar o debate sobre o direito das mulheres de realizar LAQUEADURA. "Esse direito é assegurado em lei e não está sendo respeitado no município de Tarauacá. Essa é uma bandeira que empunho desde meu primeiro mandato e quero ajuda de todos para que nossas mulheres possam decidir quando desejarem para de ter filhos"

"Foi uma boa reunião pois discutimos uma extensa pauta sobre a luta das mulheres em Tarauacá. quando à questão da Laqueadura, ganhamos duas importantes aliadas que foi a vice governadora Nazaré e a Concita Maia. Em breve vamos realizar um grande seminário com a participação das mulheres em todos os segmentos sociais de nossa cidade para discutirmos uma pauta que nortearão as bandeiras de luta das mulheres de Tarauacá em 2018, inclusive o direito a laqueadura", destacou Janaina. 

A mulher tem o direito, em toda a rede do SUS e conveniados, a realizar cirurgia para esterilização quando desejar, contanto que seja maior de vinte e cinco anos de idade ou, pelo menos, com dois filhos vivos, e se em convivência conjugal, com o consentimento do marido. A esterilização também será possível quando houver risco de vida ou à saúde da mulher.

"A implementação urgentemente nas unidades básicas de saúde do programa Planejamento Familiar e consequentemente se efetive os procedimentos como a 'laqueadura', finalizou a parlamentar. 

 


 

Salvador, Natal e Fortaleza lideram ranking de violência física contra as mulheres no Nordeste

Pela primeira vez, estudo faz ligação da violência doméstica no Nordeste brasileiro, com foco entre gerações, vulnerabilidades raciais e socioeconômicas e incidência sobre a saúde, direitos sexuais e direitos reprodutivos das mulheres. Pesquisa inédita é da Universidade Federal Ceará e do Instituto Maria da Penha, financiada pela Secretaria de Políticas para as Mulheres e apoio do Instituto Avon. Divulgação marca campanha dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres
Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres Brasil, destaca urgência de investimentos em políticas e serviços essenciais de atenção a mulheres em situação de violência
Foto: SPM
NOs 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres trazem para o Brasil o debate urgente sobre o investimento, a continuidade e o aperfeiçoamento de políticas e serviços essenciais a mulheres em situação de violência em apoio à implementação da Lei Maria da Penha. De acordo com a pesquisa, 27% de todas as mulheres com idades entre 15 e 49 anos já foram vítimas de violência doméstica ao longo da vida e 17% das nordestinas foram agredidas fisicamente pelo menos uma vez na vida. As cidades de Salvador, Natal e Fortaleza ostentam o título negativo de cidades mais violentas ao longo da vida das mulheres, em termos de violência doméstica física, com prevalência de 19,76%, 19,37%, e 18,97%, respectivamente (ver tabela 7, p.8).
Nos últimos 12 meses, 11% das mulheres nordestinas foram vítimas de violência psicológica, enquanto 5% sofreram agressões físicas e 2% violência sexual no contexto doméstico e familiar. Dentre as nove capitais investigadas, a violência psicológica foi identificada por 16% das mulheres entrevistadas em Natal; a violência física, por 7% das mulheres de Maceió; e a violência sexual, por 4% das mulheres de Aracaju.
Os dados fazem parte da Pesquisa Condições Socioeconômicas e Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, que entrevistou 10 mil mulheres, representativas de 5 milhões de mulheres que vivem nas nove capitais do Nordeste. Em Maceió (69%) e Recife (53%) a frequência da violência doméstica desponta com incidência considerável (às vezes, frequente ou sempre) nos últimos 12 meses (ver tabela 8, p.10).
Salvador, Natal e Fortaleza lideram ranking de violência física contra as mulheres no Nordeste/
A divulgação dos dados faz parte da campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres. Neste ano, a ONU adotou como tema “Não deixar ninguém para trás: acabar com a violência contra as mulheres e meninas” em referência aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres Brasil, avalia que a pesquisa traz dados concretos que podem colaborar para a implementação do Marco de Parceria das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável 2017-2021 pela ONU Brasil e o governo brasileiro. “O Nordeste é uma das regiões com mais desigualdades no país, com machismo arraigado e concentração de população negra. A pesquisa capta a complexidade da violência de gênero com recorte racial e geracional, que demanda respostas políticas multisetoriais como estabelece a Lei Maria da Penha ao evocar ações integradas da saúde, segurança pública, justiça, educação, psicossocial e autonomia econômica”, afirma Gasman.
Para a representante da ONU Mulheres, a pesquisa “traça um quadro concreto para ação urgente do poder público e da sociedade brasileira, para impedir que mulheres e meninas fiquem para trás do desenvolvimento. Estamos diante de um quadro mais delineado dos desafios do Brasil para alcançar a igualdade de gênero até 2030, como determina o Objetivo Sustentável 5. Um passo decisivo é a continuidade deste estudo e a produção de outras pesquisas nas demais regiões do Brasil, fundamentais para a formulação e a execução de políticas públicas de prevenção e enfrentamento da violência de gênero”, afirma.
Reação da sociedade – Um dos pontos que a pesquisa chama a atenção é para a baixa percepção da vizinhança e do círculo social (grupos de convivência), ambos com 30%, acerca das agressões dirigidas às mulheres. O estudo foi realizado pela Universidade Federal do Ceará, Institute for Advanced Study in Toulouse e o Instituto Maria da Penha, em cooperação com a Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres, com apoio do Instituto Avon e parceria de divulgação da ONU Mulheres Brasil. A pesquisa tem três relatórios executivos: condições socioeconômicas e violência doméstica e familiar (dezembro, 2016)| violência doméstica e seu impacto no mercado de trabalho e na produtividade das mulheres (agosto, 2017) | violência doméstica, violência na gravidez e transmissão entre gerações (outubro, 2017).
Vulnerabilidades raciais – O mais recente estudo Violência doméstica, violência na gravidez e transmissão entre gerações, que está sendo divulgado durante os 16 Dias de Ativismo, aponta que entre as mulheres que sofrem agressões físicas durante alguma gestação ao longo da vida (6% no universo de 10 mil mulheres), 77% são mulheres negras. Além disso, 24% das mulheres negras vivenciaram a ocorrência de violência doméstica contra suas mães, enquanto a mesma situação foi vivenciada por 19% das mulheres brancas.
Impacto no mercado de trabalho e produtividade – Os resultados do relatório Violência Doméstica e seu Impacto no Mercado de Trabalho e na Produtividade das Mulheres mostram que as mulheres vítimas de violência doméstica no Nordeste, nos últimos 12 meses, 23% recusaram ou desistiram de alguma oportunidade de emprego nesse mesmo período de referência porque o parceiro era contra. Enquanto isso, 9% das mulheres não vitimadas pelos parceiros reportaram ter recusado alguma oportunidade de emprego.
Mulheres vítimas de violência domésticas, nos últimos 12 meses, reportam menor frequência no exercício de sua capacidade de concentração, na capacidade de dormir bem, em tomar decisões, além de se sentir frequentemente estressada e menos feliz em comparação as mulheres não vitimadas pelos parceiros.
Para a região Nordeste, mulheres vítimas de violência doméstica apresentam uma duração média de emprego 21% menor do que a duração daquelas que não sofrem violência e possuem um salário cerca de 10% menor do que aquelas que não são vítimas de violência. Ser vítima de violência doméstica se correlaciona negativamente com a produtividade e o salário-hora da mulher, e esse efeito é maior em mulheres negras.

Salvador, Natal e Fortaleza lideram ranking de violência física contra as mulheres no Nordeste/
Saúde e bem-estar – 7% das mulheres agredidas durante a gestação têm entre 15 a 24 anos. As agressões em todas as fases da gravidez foi verificada em 34% das entrevistadas (6% no universo de 10 mil mulheres). Os dados revelam implicações para a saúde das mulheres, incidindo sobre os seus direitos sexuais e direitos reprodutivos, e das crianças, trazendo novos elementos para a resposta do Brasil para o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 3: Saúde e Bem Estar.

Salvador, Natal e Fortaleza lideram ranking de violência física contra as mulheres no Nordeste/
As mulheres se tornam vulneráveis à depressão, estresse, comportamentos de risco com uso de drogas lícitas e ilícitas, pré-natal inadequado, sangramento vaginal, ganho de peso, hipertensão, pré-eclâmpsia, entre outras intercorrências e enfermidades. Em relação à criança, estudos da área indicam restrição de crescimento uterino, curta duração, redução de peso da criança ao nascer, 0,9% a mais de probabilidade de morte ao nascer e até 1,5% a maior de probabilidade de morte até o 5º ano de vida.
Espiral da violência de gênero – Um dos apontamentos mais alarmantes é sobre a transmissão da violência entre gerações. 4 a cada 10 mulheres que cresceram em um lar violento sofreram o mesmo tipo de violência na vida adulta. Ou seja, há uma repetição de padrão em seu próprio lar. A chamada Transmissão Intergeracional de Violência Doméstica (TIVD) é definida como um mecanismo de perpetuação da violência que, segundo os estudos, sugere maior incidência de violência doméstica em lares onde a mulher, seu parceiro ou ambos estiveram expostos à violência na infância. O mesmo percentual, 4 a cada 10 mulheres, também surge em relação ao impacto no comportamento masculino, revelando que parceiros que cresceram em um lar violento também cometeram agressões contra suas parceiras.
Salvador, Natal e Fortaleza lideram ranking de violência física contra as mulheres no Nordeste/
De acordo com a pesquisa, 1 a cada 5 mulheres teve contato com algum tipo de violência doméstica na infância ou na adolescência. 23% afirmaram ter lembranças da mãe sendo agredida e 13% sabem que a mãe do parceiro também sofreu algum tipo de agressão. Destas, 88% presenciaram (viu ou ouviu) as agressões físicas sofridas pela mãe.
O peso da violência doméstica também é maior quando há um divisão entre brancas e negras. 1 a cada 4 entrevistadas negras afirmou se lembrar de episódios de violência contra sua mãe. Já entre as entrevistadas brancas, o número é sensivelmente menor quando 1 a cada 5 afirmou ter presenciado algo.
Agressores – A pesquisa explora a ação da violência por parte de parceiros e ex-parceiros das vítimas. Os índices são muito próximos entre os relacionamentos antigos e atuais das mulheres em situação de violência.
Salvador, Natal e Fortaleza lideram ranking de violência física contra as mulheres no Nordeste/
12% das mulheres relataram que o parceiro ou ex-parceiro (o mais recente), quando criança, soube das agressões físicas sofridas pela mãe. 85% deles presenciou os atos de agressão pelo menos uma vez. 10% das entrevistadas reportaram que seus parceiros e ex-parceiros haviam sido agredidos, pelo menos uma vez, durante a infância por familiares. Em Aracaju, 16% das mulheres responderam que seus parceiros e ex-parceiros souberam ao menos uma vez das agressões sofridas pela mãe. 9% das entrevistadas reportaram que seus respectivos parceiros e ex-parceiros foram agredidos na infância por familiares – neste último indicador, a concentração é em Salvador (15%).
Exposição de crianças à violência de gênero – Das mulheres vítimas de violência doméstica, 55% relataram que os filhos presenciaram o episódio ao menos uma vez.
Dados, investimentos e políticas – Para o professor José Raimundo Carvalho, coordenador mundial e pesquisador principal da pesquisa, os resultados são frutos de um trabalho inédito de cientistas nacionais e internacionais. “Compilamos aqui, pela primeira vez, um conjunto de dados único e longitudinal que aborda a violência doméstica e seu desenvolvimento cognitivo-emocional e suas inter-relações no impacto das gerações”, destaca José Raimundo, que conduziu a pesquisa com o professor Victor Hugo Oliveira.
A Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres investiu cerca de R$ 2 milhões no projeto. O resultado da pesquisa está sendo usado na construção de ações e políticas públicas no enfrentamento a violência. “Nessa etapa da pesquisa podemos perceber o grande impacto que a violência doméstica apresenta não apenas ao núcleo familiar, mas a toda uma sociedade. Precisamos pensar no enfrentamento a violência como uma prioridade do estado, envolvendo todos nesse debate”, afirmou a secretária Nacional de Políticas para as Mulheres, Fátima Pelaes.
“Para o Instituto Avon é primordial apoiar pesquisas como essas no Brasil. Temos aqui um estudo inovador e sem precedentes no Brasil e na América Latina que endossa, com alto rigor científico, a nossa linha de atuação focada na disseminação de informação e na divulgação do trabalho brilhante que vem sendo exercido por organizações e acadêmicos brasileiros do porte do Instituto Maria da Penha e da Universidade Federal do Ceará”, ressalta Daniela Grelin, gerente sênior do Instituto Avon.
Sobre a pesquisa – A amostra da PCSVDFMulher é composta por mais de 10 mil mulheres, sendo quantitativa, probabilística e representativa das moradoras das nove capitais do Nordeste, com idades entre 15 e 49 anos. Para o estudo do tópico Violência na Gestação, a análise se restringiu às mulheres entrevistadas pela PCSVDFMulher que tiveram pelo menos uma experiência de gravidez ao longo da vida, resultando em 4.056 mulheres que, efetivamente, responderam questões relativas à experiência de violência na gestação.
Assessoria de Comunicação da ONU Mulheres Brasil
Isabel Clavelin – 61 3038 9140 | 98175 6315
isabel.clavelin@unwomen.org
Assessoria de Comunicação da SPM
Andréia Araújo
(61) 3313.7095 – andreia.araujo@spm.gov.br

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Ferida no colo do útero é perigoso? Como identificar e tratar o problema?

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Popularmente conhecida como ferida no colo do útero, a ectopia cervical ocorre quando o tecido de dentro do colo do útero se projeta para uma região chamada abertura do canal cervical, que faz a ligação com o canal vaginal.
A condição é caracterizada por pontos avermelhados no colo, como um tecido vindo de dentro do útero invadindo a região que delimita o fim do canal vaginal. Os diagnósticos são diversos e vão desde influências hormonais até infecções por vírus, como o HPV, e casos de câncer.
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Ferida no colo do útero é grave?

Na maioria dos casos, a ectopia cervical não apresenta grandes riscos, mas é importante ter acompanhamento médico para saber se a ferida é fisiológica ou é fruto de alguma infecção ou outra condição mais perigosa.
O câncer de colo de útero quase sempre é decorrente das alterações causadas pelo HPV, sendo a ferida a mais comum. Porém, o vírus nem sempre vira câncer e apenas 1% das mulheres infectadas desenvolverá o problema se não realizar tratamento.ferida colo utero 0217 400x800

Causas de ferida no colo do útero

As causas da ectopia cervical são variadas, podendo ser decorrentes de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), HPV, influências hormonais, inflamação (cervicite) e uso de anticoncepcional hormonal, que pode estimular a alteração no tecido do colo do útero e causar sua exteriorização.

Como identificar ferida no colo do útero

A ferida no colo do útero geralmente não provoca sintomas, mas pode vir acompanhada por corrimentos anormais, odor, coceira ou ardência na região íntima, incômodos na região pélvica e desconforto durante a relação sexual.
A identificação da feridinha ocorre através do exame clínico, realizado pelo médico ginecologista ou de família. E sua gravidade pode ser descoberta através de exames como o papanicolau e a colposcopia.

Como tratar ferida no colo do útero

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O tratamento para ectopia cervical dependerá do estado da ferida. A alteração fisiológica, por exemplo, não requer tratamento, já que costuma regredir sozinha e, depois, se transforma em um tecido escamoso e mais resistente. Este é o tipo mais comum.
Em casos mais graves a mulher poderá precisar fazer uso de cremes e antibióticos, realizar uma cauterização com agentes químicos ou físicos ou, em casos extremamente raros e incomuns, retirar de parte do colo uterino ou o útero.
Por:Paulo Nobuo

terça-feira, 14 de novembro de 2017

A cada 23 minutos, um jovem negro morre no Brasil’, diz ONU ao lançar campanha contra violência

Campanha chamada ‘Vidas Negras’ foi lançada nesta terça, em Brasília. Organização afirma que violência no país está relacionada ao racismo.

Uma campanha da Organização das Nações Unidas (ONU Brasil) pretende mostrar a relação entre racismo e violência no país. A iniciativa “Vidas Negras” foi lançada nesta terça-feira (7), em Brasília, e chama a atenção para morte de um jovem negro a cada 23 minutos no país. Os números são do Mapa da Violência, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso).
A campanha faz parte dos eventos que serão promovidos no mês da Consciência Negra e reúne uma série de vídeos que abordam temas como “filtragem racial”. Segundo a ONU, trata-se da escolha de suspeitos pela polícia com base “exclusivamente na cor da pele”. Outro tema é o “extermínio da juventude negra”.
Na campanha, os números os são apresentados por artistas como Taís Araújo, Elisa Lucinda e Érico Brás. Os vídeos deverão ser veiculados ao longo de um ano, nos meios de comunicação. Segundo o coordenador residente das Nações Unidas Niky Fabiancic, o objetivo da campanha é “incluir jovens negros na agenda do desenvolvimento sustentável”.
“Cada vida importa. Não podemos deixar ninguém para trás.”
Cartaz da campanha 'Vidas Negras', da ONU Brasil (Foto: ONU Brasil/Divulgação)
Cartaz da campanha ‘Vidas Negras’, da ONU Brasil (Foto: ONU Brasil/Divulgação)
Números da violência
Segundo uma pesquisa realizada pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e pelo Senado Federal, 56% da população brasileira concorda com a afirmação de que “a morte violenta de um jovem negro choca menos a sociedade do que a morte de um jovem branco”.
O dado, de acordo com a ONU, revela o “grau de indiferença com que os brasileiros têm encarado um problema que deveria ser de todos”. Luana Vieira, representante da Seppir no lançamento da campanha, destacou a importância da “representantividade em diversos espaços” para “iniciar a mudança”.
Segundo a oficial de Programa do Fundo de População da ONU Ana Cláudia Pereira, “todos os anos são assassinadas no país 30 mil pessoas, 23 mil são jovens negros” (veja entrevista). A campanha pretende mostrar que preconceitos aumentam a discriminação racial e fazem com que os jovens negros sejam as principais vítimas, diz ela.
Outros números lembrados na campanha “Vidas Negras”, foram divulgados na última semana pelo Fundo das Nações Unidas (Unicef) em um documento que mostra que de cada mil adolescentes brasileiros, quatro vão ser assassinados antes de completar 19 anos. Se o cenário não mudar, serão 43 mil brasileiros entre os 12 e os 18 anos mortos de 2015 a 2021, três vezes mais negros do que brancos.
“A campanha defende que esta morte precisa ser evitada e, para isso, é necessário que Estado e sociedade se comprometam com o fim do racismo”, diz o documento.
Marília Marques
 
 

Número de nascimentos no Brasil cai pela primeira vez desde 2010


size_960_16_9_foto_1.jpg: Bebês
 
Pela primeira vez desde 2010, o número de pessoas nascidas no Brasil caiu. A queda registrada é de 5,1%, segundo estatísticas do Registro Civil divulgadas nesta terça-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com o levantamento, a quantidade de nascimentos no país estreitou de 2,9 milhões em 2015 para 2,7 milhões em 2016. A queda, segundo o IBGE, pode ser associada à crise econômica. “O atual momento de instabilidade política pode fazer com que as famílias se sintam mais inseguras para ter filhos”, diz Klívia Brayner, gerente da pesquisa no instituto. 
O estudo aponta que todas as regiões do Brasil sofreram queda no número de nascidos vivos. Na comparação com 2015, a região com a menor queda foi a Sul (-3,8%), que registrou 389,6 mil nascimentos, e a com maior redução foi a Centro-Oeste (-5,6%), com 232 mil nascimentos.
Considerando os estados brasileiros, Roraima foi a única unidade  que apresentou aumento de nascimentos ocorridos e registrados entre 2015 e 2016, com acréscimo de 3,9%.
Por outro lado, Pernambuco teve a maior queda de nascidos vivos no período, com 10%. Segundo a gerente da pesquisa, o vírus da zika pode ter impactado no comportamento reprodutivo das mulheres pernambucanas. Afinal, o estado foi um dos mais afetados pela epidemia do ano passado.
Veja o número de nascimentos registrados nas grandes regiões do Brasil
20162015Variação 2015-2016
Brasil2.793.9352.945.344-5,10%
Norte283.066295.298-4,10%
Nordeste777.092822.070-5,50%
Sudeste1.112.1011.177.165-5,50%
Sul389.600404.986-3,80%
Centro-Oeste232.076245.825-5,60%

Óbitos

O número de óbitos registrados no país nos últimos 10 anos teve um acréscimo de 24,7%, passando de 1.019.393 registros em 2006 para 1.270.898 em 2016.
Segundo o IBGE, esse aumento é resultado da diminuição da mortalidade nas idades iniciais, favorecendo um aumento no número de óbitos entre os grupos mais velhos da sociedade brasileira.
O relatório identificou ainda que, enquanto a proporção de óbitos das crianças menores de 5 anos caiu significavelmente nos últimos 40 anos, os óbitos da população com idades acima de 65 anos cresceu na mesma proporção. 
Em 1976, o efetivo de óbitos das pessoas de 65 anos ou mais de idade representava 29,1% do total de mortes no país – em 2016, esse percentual saltou para 58,5%.
Já em relação ao número de óbitos de menores de 5 anos, o declínio foi considerável, passando de 29,1% do total de mortes registrado no Brasil em 1976, para 2,9% em 2016.
“Pessoas que até então não conseguiam alcançar as idades mais avançadas, em função do alto nível de mortalidade, começaram a envelhecer, fazendo com que o número de óbitos acima de 65 anos aumentasse ao longo desse período”, diz o relatório do IBGE.
Proporção de óbitos de menores de 5 anos e de maiores de 65 anos de idade