terça-feira, 21 de novembro de 2017

Ferida no colo do útero é perigoso? Como identificar e tratar o problema?

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Popularmente conhecida como ferida no colo do útero, a ectopia cervical ocorre quando o tecido de dentro do colo do útero se projeta para uma região chamada abertura do canal cervical, que faz a ligação com o canal vaginal.
A condição é caracterizada por pontos avermelhados no colo, como um tecido vindo de dentro do útero invadindo a região que delimita o fim do canal vaginal. Os diagnósticos são diversos e vão desde influências hormonais até infecções por vírus, como o HPV, e casos de câncer.
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Ferida no colo do útero é grave?

Na maioria dos casos, a ectopia cervical não apresenta grandes riscos, mas é importante ter acompanhamento médico para saber se a ferida é fisiológica ou é fruto de alguma infecção ou outra condição mais perigosa.
O câncer de colo de útero quase sempre é decorrente das alterações causadas pelo HPV, sendo a ferida a mais comum. Porém, o vírus nem sempre vira câncer e apenas 1% das mulheres infectadas desenvolverá o problema se não realizar tratamento.ferida colo utero 0217 400x800

Causas de ferida no colo do útero

As causas da ectopia cervical são variadas, podendo ser decorrentes de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), HPV, influências hormonais, inflamação (cervicite) e uso de anticoncepcional hormonal, que pode estimular a alteração no tecido do colo do útero e causar sua exteriorização.

Como identificar ferida no colo do útero

A ferida no colo do útero geralmente não provoca sintomas, mas pode vir acompanhada por corrimentos anormais, odor, coceira ou ardência na região íntima, incômodos na região pélvica e desconforto durante a relação sexual.
A identificação da feridinha ocorre através do exame clínico, realizado pelo médico ginecologista ou de família. E sua gravidade pode ser descoberta através de exames como o papanicolau e a colposcopia.

Como tratar ferida no colo do útero

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O tratamento para ectopia cervical dependerá do estado da ferida. A alteração fisiológica, por exemplo, não requer tratamento, já que costuma regredir sozinha e, depois, se transforma em um tecido escamoso e mais resistente. Este é o tipo mais comum.
Em casos mais graves a mulher poderá precisar fazer uso de cremes e antibióticos, realizar uma cauterização com agentes químicos ou físicos ou, em casos extremamente raros e incomuns, retirar de parte do colo uterino ou o útero.
Por:Paulo Nobuo

terça-feira, 14 de novembro de 2017

A cada 23 minutos, um jovem negro morre no Brasil’, diz ONU ao lançar campanha contra violência

Campanha chamada ‘Vidas Negras’ foi lançada nesta terça, em Brasília. Organização afirma que violência no país está relacionada ao racismo.

Uma campanha da Organização das Nações Unidas (ONU Brasil) pretende mostrar a relação entre racismo e violência no país. A iniciativa “Vidas Negras” foi lançada nesta terça-feira (7), em Brasília, e chama a atenção para morte de um jovem negro a cada 23 minutos no país. Os números são do Mapa da Violência, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso).
A campanha faz parte dos eventos que serão promovidos no mês da Consciência Negra e reúne uma série de vídeos que abordam temas como “filtragem racial”. Segundo a ONU, trata-se da escolha de suspeitos pela polícia com base “exclusivamente na cor da pele”. Outro tema é o “extermínio da juventude negra”.
Na campanha, os números os são apresentados por artistas como Taís Araújo, Elisa Lucinda e Érico Brás. Os vídeos deverão ser veiculados ao longo de um ano, nos meios de comunicação. Segundo o coordenador residente das Nações Unidas Niky Fabiancic, o objetivo da campanha é “incluir jovens negros na agenda do desenvolvimento sustentável”.
“Cada vida importa. Não podemos deixar ninguém para trás.”
Cartaz da campanha 'Vidas Negras', da ONU Brasil (Foto: ONU Brasil/Divulgação)
Cartaz da campanha ‘Vidas Negras’, da ONU Brasil (Foto: ONU Brasil/Divulgação)
Números da violência
Segundo uma pesquisa realizada pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e pelo Senado Federal, 56% da população brasileira concorda com a afirmação de que “a morte violenta de um jovem negro choca menos a sociedade do que a morte de um jovem branco”.
O dado, de acordo com a ONU, revela o “grau de indiferença com que os brasileiros têm encarado um problema que deveria ser de todos”. Luana Vieira, representante da Seppir no lançamento da campanha, destacou a importância da “representantividade em diversos espaços” para “iniciar a mudança”.
Segundo a oficial de Programa do Fundo de População da ONU Ana Cláudia Pereira, “todos os anos são assassinadas no país 30 mil pessoas, 23 mil são jovens negros” (veja entrevista). A campanha pretende mostrar que preconceitos aumentam a discriminação racial e fazem com que os jovens negros sejam as principais vítimas, diz ela.
Outros números lembrados na campanha “Vidas Negras”, foram divulgados na última semana pelo Fundo das Nações Unidas (Unicef) em um documento que mostra que de cada mil adolescentes brasileiros, quatro vão ser assassinados antes de completar 19 anos. Se o cenário não mudar, serão 43 mil brasileiros entre os 12 e os 18 anos mortos de 2015 a 2021, três vezes mais negros do que brancos.
“A campanha defende que esta morte precisa ser evitada e, para isso, é necessário que Estado e sociedade se comprometam com o fim do racismo”, diz o documento.
Marília Marques
 
 

Número de nascimentos no Brasil cai pela primeira vez desde 2010


size_960_16_9_foto_1.jpg: Bebês
 
Pela primeira vez desde 2010, o número de pessoas nascidas no Brasil caiu. A queda registrada é de 5,1%, segundo estatísticas do Registro Civil divulgadas nesta terça-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com o levantamento, a quantidade de nascimentos no país estreitou de 2,9 milhões em 2015 para 2,7 milhões em 2016. A queda, segundo o IBGE, pode ser associada à crise econômica. “O atual momento de instabilidade política pode fazer com que as famílias se sintam mais inseguras para ter filhos”, diz Klívia Brayner, gerente da pesquisa no instituto. 
O estudo aponta que todas as regiões do Brasil sofreram queda no número de nascidos vivos. Na comparação com 2015, a região com a menor queda foi a Sul (-3,8%), que registrou 389,6 mil nascimentos, e a com maior redução foi a Centro-Oeste (-5,6%), com 232 mil nascimentos.
Considerando os estados brasileiros, Roraima foi a única unidade  que apresentou aumento de nascimentos ocorridos e registrados entre 2015 e 2016, com acréscimo de 3,9%.
Por outro lado, Pernambuco teve a maior queda de nascidos vivos no período, com 10%. Segundo a gerente da pesquisa, o vírus da zika pode ter impactado no comportamento reprodutivo das mulheres pernambucanas. Afinal, o estado foi um dos mais afetados pela epidemia do ano passado.
Veja o número de nascimentos registrados nas grandes regiões do Brasil
20162015Variação 2015-2016
Brasil2.793.9352.945.344-5,10%
Norte283.066295.298-4,10%
Nordeste777.092822.070-5,50%
Sudeste1.112.1011.177.165-5,50%
Sul389.600404.986-3,80%
Centro-Oeste232.076245.825-5,60%

Óbitos

O número de óbitos registrados no país nos últimos 10 anos teve um acréscimo de 24,7%, passando de 1.019.393 registros em 2006 para 1.270.898 em 2016.
Segundo o IBGE, esse aumento é resultado da diminuição da mortalidade nas idades iniciais, favorecendo um aumento no número de óbitos entre os grupos mais velhos da sociedade brasileira.
O relatório identificou ainda que, enquanto a proporção de óbitos das crianças menores de 5 anos caiu significavelmente nos últimos 40 anos, os óbitos da população com idades acima de 65 anos cresceu na mesma proporção. 
Em 1976, o efetivo de óbitos das pessoas de 65 anos ou mais de idade representava 29,1% do total de mortes no país – em 2016, esse percentual saltou para 58,5%.
Já em relação ao número de óbitos de menores de 5 anos, o declínio foi considerável, passando de 29,1% do total de mortes registrado no Brasil em 1976, para 2,9% em 2016.
“Pessoas que até então não conseguiam alcançar as idades mais avançadas, em função do alto nível de mortalidade, começaram a envelhecer, fazendo com que o número de óbitos acima de 65 anos aumentasse ao longo desse período”, diz o relatório do IBGE.
Proporção de óbitos de menores de 5 anos e de maiores de 65 anos de idade

Grupos de comunicação e ONU Mulheres destacam ações pela igualdade de gênero na mídia em encontro da Associação Internacional de Radiodifusão

Encontro ocorreu na capital argentina e reuniu entidades representantivas do setor de radiodifusão e grupos de comunicação da Argentina, Brasil, Chile, Costa Rica, Colômbia, El Salvador, Guatemala, México, Uruguai e Venezuela.

Grupo Clarín (Argentina), Grupo Globo (Brasil), El Tiempo (Colômbia) e Grupo Cisneros (Venezuela) apresentaram suas ações para a promoção da igualdade de gênero na reunião liderada pela Associação Internacional de Radiodifusão (AIR) junto a seus sócios e sócias e ONU Mulheres. A mostra de casos e experiências ocorreu, em 31 de outubro, em Buenos Aires, na Argentina.
Raphael Vandystadt, gerente de Responsabilidade Social do Grupo Globo, expôs as estratégias de mobilização social. No tema direitos humanos, ele assinalou a campanha Respeito, desenvolvida com apoio da ONU Mulheres, Unesco, Unicef e Unaids. “A cada 11 minutos, uma mulher é assassinada no Brasil. A gente quer chamar a atenção para essa grave violação de direitos. Todos os dias, a Globo fala com 100 milhões de brasileiros. A Globo cobre 98% do território nacional e 96% da grade de programação é feita em nossos estúdios, sendo a maior produtora de conteúdo de televisão na América Latina e no mundo. A nossa responsabilidade é tentar mudar algumas narrativas, principalmente quando falamos de narrativas de qualidade de vida, sustentabilidade, educação, direitos humanos, direitos de crianças e mulheres. Este ano o nosso tema é Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, disse.
Good Mob norteia estratégias de mobilização social do Grupo Globo
 
O gerente de Responsabilidade Social do Grupo Globo destacou, ainda, a incorporação de temas sociais nas telenovelas da Globo. Sobre as mulheres, mais de 600 cenas foram registradas desde 2007 em mais de 30 novelas, entre elas Mulheres Apaixonadas (2003), A Favorita (2008) e Cheias de Charme (2012) a respeito de violência contra as mulheres e direitos das trabalhadoras domésticas. “Desde 2014, dedicamos o Dia Internacional da Mulher com um dia inteiro de programação. Outra ação que tivemos com a ONU Mulheres, foi a campanha e produção de conteúdos no último 8 de março. Foram 83 reportagens em telejornais, 23 reportagens em programas de entretenimento, 48 reportagens da Globonews e 17 reportagens em esporte”.
Com exclusividade, Raphael Vandystadt apresentou um dos produtos da nova investida do Grupo Globo: REP – Repercutindo histórias, para plataformas de internet. “Acabamos de fazer, em parceria com a ONU Mulheres, um REP sobre comportamento abusivo e a rede de enfrentamento à violência contra as mulheres. O tema está sendo abordado na telenovela, mas a gente precisava de complemento para as redes sociais. No tema passado, educação, houve repercussão de 3 milhões de pessoas nas redes sociais. Neste novo REP, a gente quer dobrar”, completou.
Igualdade de gênero e audiência – María Ignacia Arcaya, diretora executiva do Grupo Cisneros, mencionou que educação e empoderamento das mulheres são questões priorizadas pelas empresas e fundações do grupo. “A igualdade de gênero e empoderamento das mulheres são chave para se alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, além de igualdade de gênero ser um objetivo em si. Promovemos os direitos das mulheres na América Latina por meio de programas sociais e de iniciativas comunicacionais”.
A executiva contou que Venevisión e ONU Mulheres firmaram, em 2013, compromissos de longo prazo para criar consciência em torno direitos das mulheres, identificar os diferentes tipos de violência contra as mulheres e promover os direitos das mulheres. Durante o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, mobilizaram artistas venezuelanos para apoiar a iniciativa O Valente Não é Violento, vinculada à campanha do Secretário-Geral da ONU UNA-SE pelo fim da violencia contra as mulheres.
María Ignacia Arcaya também contou sobre como os concursos de beleza da Venezuela, que detêm grande audiência, foram incorporando o tema sobre direitos das mulheres. “Em 2014, fizemos um trabalho para impactar a vida de futuras figuras públicas sobre direitos das mulheres, para que elas sejam multiplicadoras, e a presença do tema nos programas de concurso de beleza, para sensibilizar a audiência. Ao longo do concurso, mostramos os conteúdos de formação das candidatas sobre direitos das mulheres e, na transmissão final, fizemos um trabalho nas redes sociais entorno da hastag #UnaVidaSinViolencia, que se transformou em trend topics mundial na época do concurso”, salientou.
María Ignacia Arcaya, diretora executiva do Grupo Cisneros, mostrou as diferentes estratégias da empresa para apoiar o avanço dos direitos das mulheres na Venezuela
Foto: ONU Mulheres/Isabel Clavelin.
Outra ação destacada foi a incorporação de artistas em apoio à ferramenta violentômetro, de origen mexicana #LasMujeresPeleamos, para mobilizar a sociedade venezuelana contra a violência de gênero. “Como pretendemos que a história mude, precisamos de exemplos positivos nas telenovelas e que levem à reflexão sobre as cenas que são negativas”. Em apoio ao movimento global ElesPorElas (ÉlPorElla em Espanhol e HeForShe en Inglês), Maria Ignacia mostrou o engajamento de homens com visibilidade pública em produtos de comunicação sobre situações comuns, fazendo a defesa dos direitos das mulheres e da igualdade de gênero.
Jornalismo e igualdade de gênero – María Julia Díaz Ardaya, gerente de Responsabilidade Social e Sustentabilidade do Grupo Clarín, trouxe reflexões sobre os desafios para o jornalismo, a publicidade e a interiorização da igualdade de gênero nas empresas de comunicação.
María Julia Adaya, gerente de Responsabilidade Social e Sustentabilidade do Grupo Clarín, destacou o trabalho de interiorização da igualdade de gênero nas diferentes áreas de operação do grupo
Foto: ONU Mulheres/Isabel Clavelin
“A questão é sobre como o jornalismo pode tomar uma decisão cotidiana de repensar-se e escolher o linguístico e o icônico em acordo com a igualdade de gênero. Mais do que quantidade de notícias e reportagens, trabalhar sobre o linguístico, o icônico, o simbólico e a ética jornalística é muito mais transformador, porque é trabalhar e visibilizar o que está oculto”, considerou.
Maria Julia ressaltou que “o papel do jornalismo é ir naturalizando a igualdade de gênero nas decisões editoriais para que o tema possa se automatizar, romper os erros e os estereótipos desde a decisão editorial. A grande chave é a sensibilização de jornalistas, produtores e produtoras, cronistas esportivos, apresentadores e apresentadores. E como avançar nos espaços de trabalho, naturalizar os novos termos, incorporar conceitos positivos e enfrentar os erros, para que a mensagem chegue naturalmente à audiência cotidiana”, completou.
A gerente do Grupo Clarín comentou os efeitos da lei sobre violência contra as mulheres que determina, entre outras ações, a eliminação do sexismo na informação. “Revisar os nossos códigos de ética nos permite incorporar questões como violência, abuso, direitos humanos. Como abordar essas coisas desde os conteúdos até o interno. A sensibilização é para nós muito importante, porque não há mudança se não encontrar os líderes internos. Organizações existosas são aquelas que sabem colocar as pessoas nos lugares corretos e empoderá-las”, explicou ao mencionar comité e iniciativas de valorização da diversidade, entre elas os Princípios de Empoderamento das Mulheres, da ONU Mulheres e do Pacto Global, do qual o Grupo Clarín faz parte.
Relato de uma sobrevivente – Jineth Bedoya, subeditora do jornal El Tiempo, fez um relato supreendente de ter sido vítima de sequestro e violência sexual durante o exercício de atividade profissional, no ano 2000, por paramilitares, quando fazia uma reportagem numa prisão nas cercanias de Bogotá.
“Fui sequestrada, torturada e violada por três homens. Fiquei calada por nove anos. Quando eu me dei conta da dimensão da violência sexual na Colômbia, eu entendi que teria de falar. Em setembro de 2009, decidi contar o meu caso. Foi um dos momentos mais duros da minha vida, porque é difícil falar publicamente ter sido vítima de violência sexual. Mas também deu a possibilidade de fazer a campanha #NoEsHoraDeCallar, uma das mais conhecidas da Colômbia que visibiliza a violência de gênero no País”.
Jineth Bedoya (na tela), subeditora do jornal El Tiempo, contou ser vítima de violência de gênero no exercício da profissão e o seu empenho em melhorar o trabalho do jornalismo na Colômbia
Foto: ONU Mulheres/Isabel Clavelin
Jineth Bedoya frisou a responsabilidade do jornalismo com as mulheres em situação de violência e que a imprensa precisa adotar novas práticas, a fim de impedir a revitimização das mulheres. “É preciso fazer entender à redação e nos conscientizarmos de que somos uns dos primeiros e primeiras responsáveis em fomentar ou parar a violência contra as mulheres. O que dizemos nos nossos textos, o que publicamos nas nossas redes sociais, o que fazemos nos canais de televisão é fundamental para fazer parar esse modelo fetichista patriarcal que acontece não somente na América Latina, mas em todo o mundo. Eu me empenhei em fazer um guia para jornalistas. Com apoio da ONU Mulheres, criamos um pequeno decálogo sobre como cobrir violência, o qual implica capacitação de jornalistas”, explicou Jineth.
A subeditora do jornal El Tiempo chamou a atenção sobre as rotinas produtivas do jornalismo, problematizando que a busca pela notícia não deveria se colocar acima dos direitos humanos das mulheres, incluindo a comunicação como direito humano. “Quando estamos escrevendo um editorial, artigo, reportagem, o primeiro que temos de fazer é pensar que a pessoa que está na nossa frente poderia ser você mesma. Eu digo isso porque aconteceu comigo. Quando me resgataram, me levaram para uma clínica. E os primeiros que chegaram foram três jornalistas. E antes de me perguntarem se eu queria um telefone para ligar para mina mãe para dizer que eu estava viva ou alguma outra coisa, o que me pediram foi uma declaração para enviar às suas redações”, finalizou.
Em 2014, a data do sequestro de Jineth Bedoya foi incorporada, por decreto presidencial, ao calendário oficial da Colômbia como Dia Nacional pela Dignidade das Mulheres Vítimas de Violência Sexual no Contexto de Conflito Armado Interno.

As meninas não usam camisinha


As meninas não usam camisinha. Ou melhor, até usam, mas em geral quando os meninos impõe. E eles, sabemos, não curtem muito preservativo.

Diversas pesquisas revelam que as adolescentes relutam em exigir o uso da camisinha nas relações sexuais. E há vários motivos para isso.

camisinha


A adolescência é um período de incertezas e descobertas. As mudanças físicas, psicológicas e comportamentais pelas quais os jovens passam nessa fase são intensas. Se iniciar a vida sexual é difícil para os meninos, criados para serem machos e viris, imaginem para as meninas, ensinadas a controlar e por vezes negar a própria sexualidade.

O resultado é que 40% das meninas entre 14 e 25 anos não usam preservativos. Um terço dessas jovens (32%) já engravidou; 12,4% sofreram abortamento espontâneo ou provocado. (Fonte: II Lenad, 2012.)

As mulheres, além do risco de engravidar, são mais suscetíveis, por questões anatômicas, a contrair doenças sexualmente transmissíveis nas relações heterossexuais. E o risco de gerar outra vida é, muitas vezes, assumido apenas pelas meninas, que têm de se virar para conseguir abortar ou criar o filho do rapaz que se nega a usar preservativo.

Não à toa, a infecção pelo HIV vem crescendo entre as adolescentes de 13 a 19 anos. Desde 2006, o número de meninas entre 15 e 19 anos infectadas pelo vírus vem aumentando. (Fonte: Ministério da Saúde, 2016).

Sabemos que as meninas são criadas de maneira diferente dos meninos. Enquanto estes são estimulados a praticar sexo desde muito novos, elas aprendem que não devem demonstrar desejo. Essa diferença, é claro, também aparece mais tarde, na hora de exigir a camisinha.

Como esperar que a jovem, depois de aprender que é preciso esconder seus desejos sexuais e ser cordata e submissa, de repente passe a se impor e exigir o uso de preservativo? Como querer que ela seja responsável se não lhe damos ferramentas para que exerça a liberdade sexual de que vai dispor no futuro?

As meninas só vão se proteger se sentirem-se seguras e valorizadas. Para isso, precisamos falar de sexo com elas desde cedo, ensinar-lhes que se respeitar não é negar seus desejos nem seguir uma cartilha de comportamentos e sim saber estabelecer relações saudáveis, em que suas vontades sejam acatadas.

É necessário que entendamos, de uma vez por todas, que as meninas também têm desejos e que, de uma forma ou de outra, eles serão expressados. Resta saber em que condições queremos que isso aconteça.
por 
http://lugardemulher.com.br/as-meninas-nao-usam-camisinha/

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Denúncias de violência doméstica e familiar contra a mulher crescem 133%

Com dez anos de vigência da Lei Maria da Penha, os dados do Ligue 180, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, indicam que a violência contra as mulheres continua disseminada em todo país.
O balanço do primeiro semestre de 2016, no comparativo com o mesmo período de 2015, mostra um crescimento de 133% no volume de relatos de violência doméstica e familiar, conforme a definição prevista na Lei Maria da Penha (qualquer ação ou omissão baseada no gênero que cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial). Esses casos chegaram a aproximadamente 58 mil registros no primeiro semestre de 2016. 
Entre as denúncias, a central de atendimento identificou aumento de 123% no número de relatos de violências sexuais em relação ao primeiro semestre de 2015. Esse tipo de violência foi puxado principalmente pelos relatos de estupros, que cresceram 147%, chegando a 2.457 casos, com média de 13 registros por dia.
O Núcleo de Dados tabulou os dados e organizou tudo em um mapa, segundo a taxa de denúncias de violência contra grupos de cada 100 mil mulheres.
Do total de 555 mil ligações recebidas pelo Ligue 180, cerca de 12,2% se referiam a casos de violência contra a mulher (67 mil). Estes estão distribuídos no mapa, segundo a taxa de cada município. Nos primeiros seis meses de 2016, o sistema atendeu ligações de aproximadamente 70% das cidades brasileiras.
O Distrito Federal ocupa o primeiro lugar com a maior taxa de registro de denúncias feitas ao Ligue 180 no 1º semestre de 2016. Em segundo lugar está o Mato Grosso do Sul e, em terceiro, o Piauí. O Rio de Janeiro aparece em 6º lugar (64,2), enquanto São Paulo está em 22º lugar, com taxa de 35 casos por 100 mil mulheres.
Entre os primeiros municípios que mais ligaram para o Ligue 180, com registros de algum tipo de denúncia, estão Santa Clara D’Oeste/SP, com a maior taxa registrada, seguida por Itapeva/SP, Cruzália/SP, Sigefredo Pacheco/PI e Santa Rita do Tocantins/TO.

CIDADE DO RIO TEM MAIOR VOLUME DE LIGAÇÕES
Em todo país, 18 municípios apresentaram taxas acima de 400 relatos de violência contra a mulher para cada 100 mil mulheres. Em números absolutos, o maior volume de ligações foram feitas da cidade do Rio de Janeiro (5.482), seguida de São Paulo (4.537) e Brasília (2.317).

Denúncias de violência contra a mulher 1º semestre 2016
Entre os mais de 67 mil relatos de denúncia de violência contra a mulher, mais de 51% se referiam a casos de violência física (34.730). A violência psicológica vem em segundo lugar (31,1%), seguida da violência moral (6,51%).
A violência sexual foi relatada em 2.921 casos (4,3%). Entre os relatos de violência sexual, o estupro representou 84% das ligações para Ligue 180. A exploração sexual chegou a 9,9% (291).
Violência contra a mulher mais relatada no 1º semestre 2016
POR FÁBIO VASCONCELLOS
 
 

Novembro Azul: um alerta para os cuidados com a saúde do homem

Quase um terço dos homens brasileiros não têm o hábito de ir ao médico regularmente (saúde preventiva). Quando adoecem então, a recusa é ainda maior em buscar atendimento nas unidades de saúde. Consequência disso, segundo o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, é que eles vivem em média sete anos a menos que as mulheres.
Novembro, é o mês de conscientização da saúde do homem, incluindo a prevenção e o combate ao câncer de próstata. No Acre, de acordo com dados do Hospital do Câncer, em 2016 foram catalogados 56 casos de câncer de próstata (primeiro tipo mais comum entre os acreanos).
Só neste ano, até outubro, já foram registrados 52 casos. Nos últimos dez anos, 185 pacientes foram a óbito em decorrência da doença.
Visando os cuidados com esse público, desde o dia primeiro do mês intitulado “Novembro Azul”, em todos os municípios do Acre, as ações da campanha estão sendo desenvolvidas para estimular a população masculina a superar a vergonha em relação ao assunto e cuidar da saúde.
Aspectos culturais, como o machismo, têm causado diagnóstico tardio e maior dificuldade no controle da doença, segundo o urologista Mauro Trindade, que também atua como técnico da Divisão de Saúde do Homem da Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre). “É preciso quebrar as barreiras socioculturais que existem, sejam elas por medo, tabu ou machismo. A consequência disso é um diagnóstico tardio de uma doença, que se tratada no início teria mais chances de cura”, destaca.
Deixando o medo de lado
Dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) mostram que 20% dos pacientes são diagnosticados em estágio avançado da doença, o que faz com que a taxa de mortalidade chegue a 25% dos pacientes.
Além do alerta com a prevenção, para estimular os homens a procurar os centros de saúde, em Rio Branco, a prefeitura ampliou o atendimento em algumas unidades como parte da programação do “Novembro Azul”.
Na capital acreana, os homens podem procurar atendimento em uma das 42 Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou nas 5 Unidades de Referência de Atenção Primária (Urap) e 8 Centros de Saúde.
Na próxima sexta-feira, dia 10, por exemplo, a UBS Luana de Souza Freitas, no bairro Conquista, realizará durante toda a manhã, ações de saúde voltadas para o público masculino.
Ainda como parte da programação da campanha, a Sesacre também ampliou, em novembro, as cirurgias de vasectomia que estão sendo realizadas todas as terças-feiras, no Hospital das Clínicas.
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